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A criação nacional de Papagaios vai
tomando fôlego graças à permissão para a posse
e comercialização de animais silvestres muita gente ainda se
surpreende com a notícia de que se pode ter papagaios nacionais de
maneira legalizada.
Autor: Internet
A CRIAÇÃO DE
PAPAGAIOS NO PAÍS
A criação nacional de Papagaios vai
tomando fôlego graças à permissão para a posse
e comercialização de animais silvestres muita gente ainda se
surpreende com a notícia de que se pode ter papagaios nacionais de
maneira legalizada.
"Na minha loja, converso sobre animais com
muitas pessoas e percebo que quase a totalidade dos clientes acha que a
venda de Papagaios é ilegal", constata Luiz Maluf, proprietário
da Brazil Ornamental Fishes, especializada em peixes e aves.
Explicação
para esse desconhecimento: o comércio, após 30 anos de
proibição, só teve suas regras estabelecidas em
outubro de 1997, por meio da Portaria 117 do Ibama.
E por enquanto não
se vêem muitos animais da fauna brasileira em lojas e nem muita
divulgação sobre a nova legislação.
Mas o fato é que enquanto as normas para a compra
e a venda não eram definidas, os criadouros - esses, sim, há
mais de uma década regulamentados para procriar as espécies
- foram se formando e ampliando os plantéis. Resultado: a última
lista de criadouros de psitacídeos emitida pelo Ibama e a checagem
feita por Cães & Cia nas principais superintendências
estaduais do Instituto apontam 13 criadouros dedicados a papagaios em todo
o Brasil (veja Para Saber Mais).
Estão espalhados por várias
regiões: São Paulo, Rio de Janeiro, Amazonas, Pernambuco,
Santa Catarina, Brasília, Paraná e Minas Gerais. Porém,
desses criadouros apenas quatro são comerciais. Ou seja, têm
a licença do Ibama para vender seus Papagaios.
Entre os
demais, quatro são científicos (podem manter e reproduzir
espécies apenas para pesquisa) e cinco, conservacionistas (podem
manter e reproduzir apenas para preservar).
Dos conservacionistas, três estavam, durante esta reportagem, em
vias de obter a licença para atuar também como comerciais.
"Sem dúvida, o interesse dos criadouros conservacionistas
em virar comerciais é um reflexo da regulamentação da
compra e da venda, que antes não existia", avalia Luiz Maluf,
que também é proprietário de um dos criadouros
conservacionistas que pleiteia se tornar comercial, o Vale dos Colibris.
"Mesmo
para quem não pretende fazer da criação um grande negócio,
poder vender é uma perspectiva estimulante e às vezes necessária
para evitar o excesso de animais no criadouro."
E AS VENDAS?
Quando o assunto é Papagaio, a reprodução
em cativeiro não é propriamente uma missão impossível,
mas requer certas manhas (veja Como Criar). Dos 13 criadouros registrados
e entrevistados por Cães & Cia, nove já
obtiveram sucesso na procriação dessas simpáticas e
falantes aves.
Para alegria dos futuros compradores, entre os
pioneiros em conseguir a reprodução de Papagaios no Brasil
estão os três criadouros que já podem vender seus
exemplares e os outros três que, no decorrer desta reportagem, se
preparavam para tanto (veja Para Saber Mais).
E as vendas até agora? Elas têm crescido
bastante, mas estão longe de ser numerosas. Os criadores comerciais
que podem vender estão com uma perspectiva otimista, mas ainda
contam nos dedos os papagaios já vendidos. Há basicamente
dois motivos que justificam essa tímida movimentação
do mercado.
A reduzida oferta é um deles. O outro é fácil
de adivinhar. Se é fato indiscutível que as pessoas, na
maioria, desconhecem a viabilidade de adquirir Papagaios de forma
legalizada, como poderiam fazê-lo?
A pequena parcela da população que sabe
dessa possibilidade, acha que se trata de um processo complicado, cercado
de demoradas negociações com o Ibama. Isso já foi
verdade.
Porém, com a Portaria 117, mudou.
Antes dela,
mesmo quem não queria criar mas, sim, apenas manter um ou alguns
papagaios como bichos de estimação precisava se tornar um
criador conservacionista.
Hoje, os pretendentes a proprietários
só precisam guardar a nota fiscal da compra, comprovando que ela
foi feita em um criadouro autorizado a vender.
O desconhecimento sobre a regulamentação
do comércio não tem fronteiras. Inclui a grande imprensa,
que deveria divulgar tal regulamentação.
Inclui a polícia,
que deveria parar de apreender animais regulamentados e de levar seus
responsáveis para prestar esclarecimentos na delegacia. Inclui os
pet shops, que, conforme prevê a Portaria 117, poderiam facilmente
atuar como revendedores e se beneficiar bastante com isso.
Vamos aos
exemplos. O jornal O Globo, do Rio, recusou há pouco mais de quatro
meses o anúncio de um dos maiores criadouros comerciais do País,
o Rostan.
"O departamento comercial alegou que não
poderia promover esse comércio por julgá-lo proibido",
conta um dos diretores do criadouro, Stanislau Szaniecki. No mês de
julho, a revista Veja foi categórica ao sentenciar multas e até
prisão a todos que comercializassem ou mantivessem animais
silvestres brasileiros.
Quanto aos pet shops, a maioria não está
vendendo papagaios pois acha que é ilegal. "O conceito que
ainda predomina, inclusive entre os lojistas, é de que do pelo
jornal, foi ao Ibama solicitar a divulgação da portaria na
grande imprensa.
A iniciativa deu resultado. Desde então, pelo
menos um criadouro, o Sítio Rodeo Drive, tem anunciado no mesmo
jornal.
Alba Regina, que quase perdeu duas Araras, na última
vez que prestou esclarecimentos à polícia, conseguiu que o
delegado enviasse cópia da portaria às demais delegacias da
Barra. Já faz alguns meses que a Birds & Company expõe e
vende seus Papagaios e outros silvestres brasileiros sem problemas com a
polícia. Já que deu certo, vale como dica.
Quem
pretender vender silvestres da nossa fauna precisa se certificar de que o
distrito policial da sua região conhece a Portaria 117 do Ibama.
Outra medida providencial é esclarecer o público com placas
nas vitrines e dentro das lojas. Muitas vezes, as denúncias partem
de gente que também desconhece a norma.
VANTAGENS
Uma análise superficial pode passar a imagem de não
ser muito vantajoso comprar um Papagaio de um criadouro autorizado a
comercializá-lo. Como a produção em cativeiro não
é muito grande, os preços dos exemplares chegam a ser o
dobro daquele dos "camelôs".
Se é comum os
vendedores ilegais oferecerem Papagaios por 300 reais, em um criadouro
autorizado o valor sobe para cerca de 600 reais.
Mas as vantagens em optar pelo caminho legalizado são
várias. A primeira é óbvia: comprar sem o potencial
transtorno de infringir a lei, sujeitando-se a multas, apreensão do
bicho e até prisão.
Quem compra de um vendedor
autorizado também desestimula o comércio ilegal, um
verdadeiro sinônimo de maus-tratos aos animais. Os traficantes de
silvestres coletam, transportam e cuidam de seus bichos muito
precariamente.
A aquisição de um Papagaio de criação
legalizada é uma garantia a mais de saúde e de docilidade da
ave. Enquanto no tráfico clandestino, os bichos são
basicamente pegos na natureza, na criação organizada os
exemplares vendidos são - por exigência do Ibama -
necessariamente nascidos em cativeiro.
"A diferença de
comportamento de um Papagaio selvagem e de um nascido no criadouro é
notável", aponta Renato Pineschi, biólogo responsável
pelo criadouro Rostan, do Rio.
"O selvagem tende a ser mais
assustadiço e se estressa com os barulhos urbanos. Já o que
nasceu em cativeiro está mais adaptado e não se abala tanto
com os ruídos e com a movimentação e o manuseio das
pessoas", completa.
Além disso, há também a seleção
de acasalamentos feita pelos criadores. "Só acasalo os
exemplares de comportamento mais dócil e calmo. Várias
vezes, descartei Papagaios da reprodução por serem agitados,
assustados ou estressados demais", afirma Pineschi. E mais: o trato
cuidadoso dos filhotes ajuda a desenvolver a docilidade. A maioria deles é
criada na "mão".
É uma espécie de
adaptação, feita com o propósito de socializar as
aves para o convívio com o homem. Quem compra de um criadouro
comercial tem essa mordomia: quando retira o Papagaio, com cerca de quatro
meses, ele já foi socializado durante o período mais
eficiente para esse processo.
Outra vantagem em optar por comprar de
um criadouro é a de poder contar com orientação
especializada sobre os cuidados com a ave.
GRANDE VARIEDADE
A criação nacional de Papagaios vai além
da espécie mais tradicional, a Amazona aestiva aestiva. Há
diversos Papagaios (veja fotos). Os nativos do Brasil são todos do
gênero Amazona, que congrega mais de 25 espécies. Têm o
porte médio, de cerca de 30 cm, o bico curvo e o predomínio
da cor verde.
As diferenças físicas entre eles não
são das maiores. Normalmente, se referem à quantidade e à
combinação de cores na cabeça e nas bordas das asas.
A maior parte da procura é pelo Amazona aestiva aestiva. "Mais
de 90 por cento de quem quer um Papagaio, pede o Amazona aestiva aestiva",
garante Pineschi.
O motivo da preferência é simples. "Na
maior parte das regiões do País, essa é a espécie
mais abundante e por isso a mais divulgada", explica Maluf.
Se essa espécie possui alguma qualidade sobre as
outras, é difícil garantir. Sem dúvida, há
mais exemplares sociáveis e que falam bem entre os Amazona aestiva
aestiva do que entre os de qualquer outra espécie. Mas, conforme
contrapõe Pineschi, esse dado não comprova que a espécie
tenha maior tendência à sociabilidade e à capacidade
de fala. É fácil entender o porquê: a população
de Amazona aestiva aestiva atuando como bichos de estimação é
significantemente mais numerosa.
"Todo o Papagaio, tem o mesmo
potencial para falar e para ser sociável e não conheço
estudos seguros que apontem maiores virtudes nessa ou naquela espécie",
opina Pineschi.
COMO CRIAR
Uma alimentação balanceada é
fundamental para a saúde de qualquer animal. Influi, entre outras
coisas, na sua disposição em procriar e na resistência
de seus filhotes.
No caso dos Papagaios adultos, comida em pouca
quantidade significa interrupção na reprodução.
Seu instinto natural percebe que os filhotes, caso nasçam, passarão
fome e morrerão.
Comida em excesso, por sua vez, causa
obesidade, o que também dificulta a reprodução. Por
dia, a quantidade ideal de comida para um Papagaio equivale a cinco por
cento do peso de seu corpo (cerca de 450 g), divididos em duas refeições.
Como há muito desperdício durante a alimentação,
ofereça cerca do dobro da dose correta por refeição.
O balanceamento básico da dieta de um Papagaio deve ser
composto por 14 por cento de proteínas e três por cento de
gordura, não mais que isso.
No Brasil, a maioria das pessoas
opta por oferecer uma dieta variada, composta por frutas, verduras,
legumes, sementes e ração. No entanto, recentemente,
chegaram ao mercado rações importadas específicas
para Papagaios, como a Pretty Bird, que substituem por completo a
necessidade de outros componentes.
Reprodução: De forma geral, a partir de
quatro ou cinco anos, os Papagaios estão sexualmente maduros. A época
de reprodução ocorre de outubro a fevereiro. Veja o
passo-a-passo para tentar a reprodução.
1) Faça um exame de sexagem, porque entre os Papagaios não
há distinção visível entre macho e fêmea.
Os métodos mais utilizados atualmente são a laparoscopia e o
teste de DNA.
Algumas universidades brasileiras, como a USP, estão
equipadas para realizá-los. Sobre o exame de DNA, também é
possível fazê-lo através do envio do material (gotas
de sangue ou penas da ave) pelos Correios.
O Laboratório
Unigem Zoológica, em São Paulo, executa esse serviço.
2) Por determinação do Ibama, as aves são
anilhadas ou "microchipadas". Use o código dessas
identificações para criar um cadastro, especificando qual
ave é macho ou é fêmea.
3) O ideal é ter vários
exemplares, tanto machos como fêmeas, para soltá-los juntos
em um grande viveiro. Isso possibilita que os casais se escolham, um
costume natural dos Papagaios.
Quando dois exemplares começarem
a voar juntos é sinal de que se escolheram. Certifique-se de que a
dupla é formada por um macho e uma fêmea (há casos de
duplas formadas só por machos ou só por fêmeas).
Se
você tem só um casal, a reprodução é
mais difícil, mas pode ser tentada.
4) Junte o casal em um
viveiro de cerca de 1 m x 0,8 m a 1,2 m x 2 m (altura, largura e
comprimento). A área não muito grande faz com que se sinta
protegido, contribuindo para o acasalamento. Evite barulhos e movimentação
de pessoas no local. Coloque um ninho externo, cuja abertura permita o
manejo e a visualização do seu interior.
O que tem
formato em "L" é o mais comum. É recomendável
que seja de madeira, pois atua como isolante térmico. O feito de
metal, por exemplo, em regiões quentes esquenta demais e pode matar
os embriões nos ovos.
Faça uma armação de
tela em volta do ninho de madeira, evitando que os Papagaios biquem o ni
nho, abram um buraco e fujam. Forre o piso com areia e raspas de serpilha
grossa ou pedaços de troncos de eucalipto seco.
5) Após
tudo isso, só resta aguardar. Se macho e fêmea estiverem
afinados, o comportamento deles será alterado. O macho levará
comida para a fêmea no ninho. Ela, por sua vez, ficará mais
tempo aninhada.
O casal dormirá junto e trocará comida
na boca. Ao notar essas mudanças comportamentais, passe a verificar
se há ovos no ninho.
6) Quando houver ovos, pode-se optar pelo
sistema natural, no qual os filhotes nascem em companhia dos pais, ou pelo
sistema de chocadeira, usado pelo Rostan. Tanto num caso como no outro, a
eclosão leva cerca de 26 dias. O sistema de chocadeira pode
aumentar a produção.
Se o ovo for retirado rapidamente
assim que a fêmea o botar, ela logo em seguida coloca outro.
Outra
vantagem da chocadeira é evitar a quebra dos ovos, muitas vezes
ocasionada pelos pais.
Caso a opção seja pelo sistema
natural, mantenha pai e mãe juntos, pois ambos cuidam dos filhotes.
Cuidados com os filhotes
Se a intenção é que sejam
exemplares mansos e bem sociáveis trate-os "na mão".
Caso tenham nascido na chocadeira, logo após o nascimento
coloque-os na encubadeira.
Se tiverem nascido no ninho, só os
transfira para a encubadeira aos dez dias de vida, quando ainda estarão
de olhos fechados. Até emplumarem, devem permanecer na encubadeira,
mantida a 33 graus Celsius.
Os filhotes precisam se alimentar
corretamente para crescerem saudáveis e resistentes.
Ao contrário
dos adultos, podem ter uma dieta rica em gordura, pois têm um gasto
energético muito maior e ela ajuda no desenvolvimento geral da ave.
A ração Pretty Bird para filhotes, que é farelada, é
utilizada no Rostan como fonte única de alimento.
Ela já
contém todos os nutrientes necessários e possui 12 por cento
de gordura. Se a opção for pela dieta variada, deve-se
buscar consultoria técnica de um biólogo ou veterinário,
com experiência em Papagaios.
É que as receitas podem
variar conforme o clima da região e conforme o tipo de alimento
local.
O ideal é alimentar os filhotes várias vezes ao
dia.
O criadouro Rostan, nos primeiros 30 dias de vida dos Papagaios,
alimenta-os de hora em hora, das 7 h às 20 h.
Após esse
período, o número de refeições vai diminuindo
gradativamente. Não existe uma fórmula exata para essa
diminuição. Ela deve ocorrer conforme o crescimento da ave e
conforme a rapidez com que o papo esvazia.
Ou seja, na hora de uma
determinada refeição, se o papo ainda estiver cheio, ela não
deve ser dada.
A técnica para os filhotes ingerirem o alimento
é um capítulo à parte.
Eles devem ser alimentados
no bico por meio de uma seringa ou uma sonda de aço, específica
para essa função. No entanto, é preciso muito cuidado
durante o processo.
A comida tem de ser aplicada do lado direito da
ave.
Se for colocada do lado esquerdo e fora do esôfago, vai
para o pulmão, e o filhote morre asfixiado.
Como o risco é
grande, o melhor é transferir a tarefa a um especialista, como um
veterinário de aves ou um biólogo
Quando o filhote estiver emplumado e com os olhos
abertos, começa-se a oferecer ração peletizada de
adulto. Ele irá apenas brincar com essa ração.
Mas
assim, aos poucos, aprenderá a comer sozinho, o que começa a
ocorrer por volta dos dois meses e meio de vida. Aos três meses, já
pode ser transferido para um viveiro com Papagaios jovens e filhotes.
Com adultos, o filhote só pode conviver aos seis ou sete
meses, quando já sabe voar.
Recomenda-se vendê-lo a
partir de quatro meses.
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